Discípulo do Mestre e Senhor Jesus Cristo

A Graça da Garça

terça-feira, 2 de setembro de 2014

Existe realmente poder em nossas palavras?



Por Antônio Pereira Jr.




Há alguns dias entrei numa livraria evangélica. Olhando as novidades, vi, estupefato, que as obras que estavam à vista eram aquelas que falavam sobre o poder inerente da língua. Como: “Há poder em suas palavras”, “Zoe: a própria vida de Deus”, “A sua saúde depende do que você fala”, etc.

Conversando com a atendente perguntei-a sobre os livros que estavam mais escondidos, como por exemplo, os livros de teologia, de referências, de história da Igreja, etc. Ela respondeu-me que são livros que não sai das estantes, a não ser que algum pastor, professor ou seminaristas venham a adquiri-los. E disse-me que mais de 90% das pessoas que frequentam a livraria só compram livros dessa “nova teologia”. 

É lamentável que isto seja um reflexo da falta de conhecimento da Igreja hodierna. As pessoas não querem mais pesquisar a fundo o que se vende ou se escuta por ai. Só querem bênçãos, sem se importar com o abençoador. Querem as coisas de Deus, embora não pensem em conhecê-lo. Buscam o pão da terra, mas rejeitam o pão do céu. Nestas poucas linhas tentarei demonstrar que apesar de estar impregnada na Igreja como um todo, a confissão positiva é uma falha grave da chamada “nova teologia”. 

DEFININDO OS TERMOS 

O que é o Movimento do Pensamento Positivo? É a crença em que o pensamento de uma pessoa é o fator primordial em relação a suas circunstâncias. Só em ter pensamentos positivos todas as influências e circunstâncias negativas serão vencidas.

E o Movimento de Confissão Positiva? É a versão cristianizada do pensamento positivo que essencialmente substitui a fé em Deus pela habilidade de ter fé em si mesmo. O simples fato de confessar positivamente o que se crê faz com que o desejo confessado aconteça. (1) 

O verbo decretar está sendo conjugado dia-a-dia pelas mais variadas denominações. Não são poucas as pessoas que usam o jargão evangélico: “Tá decretado!” Não faz muito tempo às famosas frases de efeito no meio evangélico eram outras bem menos danosas para a fé cristã, como, por exemplo: “O sangue de Cristo tem poder” – nem sempre usada no contexto correto –, “Tá amarrado!” etc.

Mas, qual o motivo da frase “tá decretado” – e suas variações – estar errada? Não temos que reivindicar os nossos direitos junto ao Pai? Não somos filhos do Rei? As nossas palavras não possuem poder?

Para responder, sinceramente, a estas e outras perguntas, gostaria de dar algumas explicações do por que não creio na assim chamada “confissão positiva”.

Devemos também lembrar-nos de que o termo “decreto” pertence somente ao Senhor de Toda Glória, como bem falou Rubens Cartaxo Junior: “Os Decretos eternos de Deus é exclusivo de Sua pessoa o qual fez desde a Eternidade – Sl 33.11; Is 14.26-27; 46.9-10; Dn 4.34-35; Mt 10.29-30; Lc 22.22; At 2.23; 4.27-28; 17.26; Rm 4.18; 8.18-30; I Co 2.7; Ef 1.11; 2.10; II Tm 1.8-9; I Pe 1.18-20. Estes textos demonstram que Deus tem um propósito, ou um plano, para o Universo que criou. Este plano existe antes da criação. É um plano sábio, de acordo com o conselho de Deus. Ninguém pode anulá-lo, pois é Eterno”. (2) 

A “confissão positiva” é parte da “teologia da prosperidade”, tão divulgada e recebida pela Igreja brasileira. Esta doutrina vem sendo divulgada há alguns anos no Brasil, especialmente por R. R. Soares que é o responsável pela divulgação dos livros de Kenneth E. Hagin, principal expositor desta doutrina. Hagin diz que recebeu a fórmula da fé diretamente de Jesus, e mandou escrever de1 a4 esta “fórmula”. Com ela, diz, pode-se conseguir tudo.

Consiste em: 

(1) “Diga a coisa”, positiva ou negativamente, tudo depende do indivíduo.

(2) “Faça a coisa”, o que nós fazemos irá determinar a nossa vitória.

(3) “Receba a coisa”, a fé irá dinamizar a ação e Deus tem que responder, pois está preso a “leis espirituais”.

(4) “Conte a coisa”, para que outras pessoas possam crer. Deve-se usar palavras como: decretar, exigir, reivindicar, declarar, determinar, e não se pode pedir “se for da tua vontade”, pois isso destrói a fé.

Não são poucos os líderes que adotam e pregam essa doutrina. Como disse o próprio R. R. Soares em uma entrevista para a Revista Eclésia, quando perguntado se ele era adepto da teologia da prosperidade, ele respondeu:
“…Agora, eu prego a prosperidade. Prefiro mil vezes pregar teologia chamada da prosperidade do que teologia do pecado, da mentira, da derrota, do sofrimento… A teologia da prosperidade, pelo que se fala por aí, eu bato palmas. Não creio na miséria. Essa história é conversa de derrotados. São tudo um bando de fracassados, cujas igrejas são um verdadeiro fracasso”. (3)
Para muitos, ganhar e ter dinheiro viraram sinônimos de vitória. E o que mais nos impressiona é a suposta “base bíblica” para defender seus devaneios. Um exemplo clássico é o texto de Filipenses 4:13 – que virou um moto na boca dos cristãos hodiernos – que diz: “Posso todas as coisas em Cristo que me fortalece” . Só que os adeptos da teologia da prosperidade ignoram por completo o contexto da passagem. Veja o que diz os versos 11 e 12: “Não digo isto como por necessidade, porque já aprendi a contentar-me com o que tenho. Sei estar abatido, e sei também ter em abundância; em toda a maneira, e em todas as coisas estou instruído, tanto a ter fartura, como a ter fome; tanto a ter abundância, como a padecer necessidade”.

Em outras palavras Paulo diz-nos que poderia passar por qualquer situação –fome, abatimento, necessidade, ter de tudo e não ter nada – pelo simples fato de que a sua força, em momentos de tribulação ou não, era Jesus Cristo.

Esse movimento pensa que a língua e a mente têm um poder que pode criar as circunstâncias ao nosso redor. Não é mais do que uma “parapsicologia evangélica”. Muitas das coisas que os “doutores da fé” dizem são clones dos ensinamentos do poder da mente, muito explorado pelo Dr. Joseph Murphy anos atrás. Ele escreveu alguns livros como: “Como usar as leis da mente”, “Conversando com Deus”, “As grandes verdades da Bíblia”, “A magia do poder extra-sensorial”, “O poder do subconsciente”, dentre outros.

Vou apenas citar um trecho do livro “A paz interior”, do Dr. Murphy para vermos que se parece muito com os “doutores da fé”. Comentando João 1:5-7 ele diz:
“As trevas referem-se à ignorância ou falta de conhecimento da maneira como a mente funciona. Estamos nas trevas quando não sabemos que somos o que pensamos e sentimos. O homem está num estado condicionado do Não-condicionado, com todas as qualidades, atributos e potenciais de Deus . O homem está aqui para descobrir quem é. Não é um autônomo. Tem a capacidade de pensar de duas maneiras: positivamente e negativamente . Quando começa a descobrir que o bem e o mal que experimenta são decorrentes exclusivamente da ação de sua própria mente, começa a despertar do senso de escravidão e limitação ao mundo exterior. Sem conhecer as leis da mente , o homem não sabe como produzir seu desejo”. (4)(grifo nosso)
Vejamos ainda o que Jorge Linhares diz em seu livro: “Bênção e Maldição”, onde mostra um Deus dependente do homem, este é o Evangelho da Confissão Positiva e do Evangelho da Maldição – “Palavras produzem bênção… [ou] maldição… Palavras negativas… dão lugar a opressão demoníaca… …Palavras positivas (confissão positiva), amorosas, de fé, de confiança em Deus, liberam o poder divino para desfazer a opressão…” (5) 

SUPOSTA BASE BÍBLICA DA CONFISSÃO POSITIVA 

Existem algumas supostas bases bíblicas que os defensores da confissão Positiva usam para defender esta doutrina, vamos dar apenas três passagens para não tomar muito tempo, no entanto, as demais passagens seguem basicamente esta linha de interpretação. 

Marcos 11:22-23 – “E Jesus, respondendo, disse-lhe: Tende fé em Deus; Porque em verdade vos digo que qualquer que disser a este monte: Ergue-te e lança-te no mar, e não duvidar em seu coração, mas crer que se fará aquilo que diz, tudo o que disser lhe será feito”. 

Os defensores apregoam que o verso acima ensina que devemos ter a fé de Deus, ou seja, a confissão que gera as coisas. Declarar a existência de coisas que do nada virão a existir, podendo assim criar a realidade que quisermos.

O Pr. Jorge Issao Noda explica muito bem esta passagem em seu livro: “Somos deuses?”, ele diz:
“Copeland editou uma Bíblia de referência onde este texto tem uma leitura alternativa: ‘Tende a fé de Deus’. Capps, Price, Hagin, são unânimes nesta interpretação. Hagin afirma, inclusive, que ela está de acordo com a visão dos eruditos em grego. O texto diz: echete (tende) pistin (fé) theou (de Deus). De Deus? Então Deus tem fé! Sendo assim, os mestres da Fé têm razão. Os cristãos, através dos séculos, estiveram interpretando erroneamente este texto. Xeque-mate? De maneira nenhuma. Robertson, um dos maiores eruditos em grego, afirma que o texto deve ser traduzido para ‘tende fé em Deus’ porque se trata de um genitivo objetivo. Neste caso Deus não é o sujeito da fé (fé de Deus), mas o objeto da fé (fé em Deus). Os eruditos em grego maciçamente concordam com Robertson, contrariando a afirmação de Hagin”. (6)
Temos que ter fé em Deus, essa nossa fé em Deus é que faz com que os montes que enfrentamos a cada dia sejam superados, não pelo poder inerente a fé, mas no poder inerente do doador da fé, ou seja, o nosso Deus. Sem essa fé não venceremos, mas com Ele somos mais do que vencedores. 

Provérbios 6:2 – “E te deixaste enredar pelas próprias palavras; e te prendeste nas palavras da tua boca”. 

Este texto, dizem, significa que o poder de não passar por problemas está na língua. No entanto, Salomão está falando da pessoa que ficou por fiador de outro, como expressa o versículo anterior: “Filho meu, se ficasse por fiador do teu companheiro, se deste a tua mão ao estranho, e te deixaste enredar pelas próprias palavras; e te prendeste nas palavras da tua boca”. (grifo nosso)

A Bíblia de Genebra explica o termo “enredado”: “Pedir dinheiro emprestado é uma coisa, mas prover segurança para outrem é caminhar para dentro de uma armadilha feita pelo próprio indivíduo”. (7) 

Provérbios 18:21 – “A morte e a vida estão no poder da língua; o que bem a utiliza come do seu fruto”. 

Este versículo explica que devemos ter o cuidado de que nossas palavras não venham a nos trazer situações embaraçosas. Temos que saber como dizer as coisas, pois certamente colheremos situações que são causadas por nós mesmos. No entanto, este verso não dá margem para dizer que são as palavras em si que nos dá o controle das circunstâncias da nossa vida. São situações específicas e não o destino do ser humano que é traçado pela verbalização dos nossos desejos interiores. Palavras negativas ditas a um filho, por exemplo, podem sim trazer sérias complicações psicológicas no desenvolvimento sadio de um indivíduo. Mas nem isso pode ser regra geral, pois o contrário também ocorre. Ou seja, um filho pode receber maus estímulos psicológicos dos pais e usarem esses maus estímulos até para vencer na vida e serem pessoas melhores que seus pais. Nem sempre “filho de peixe peixinho é”.

Para uma compreensão melhor do que eu quero dizer, deixe-me mostrar-lhes algumas implicações práticas sobre a Confissão Positiva. Se você crer nesta doutrina, então terá que desconsiderar aquilo que eu irei falar a seguir. Mas se você quer ponderar o assunto, leia com atenção as frases seguintes: 

IMPLICAÇÕES PRÁTICAS DE SE CRÊ NA DOUTRINA DA CONFISSÃO POSITIVA 

Citaremos algumas implicações preocupantes que comprovam a periculosidade desta doutrina para os cristãos menos desavisados: 

1 – A Doutrina da confissão positiva aniquila a Soberania de Deus. 

Deus não depende das palavras dos homens para agir. Deus é e sempre será Soberano. Soberania é o atributo pelo qual Deus possui completa autoridade sobre todas as coisas criadas, determinando-lhe o fim que desejar (Gn 14:19; Ne 9:6; Ex 18:11; Dt 10:14-17; I Cr 29:11; II Cr 20:6; Jr 27:5; At 17:24-26; Jd 4; Sl 22:28; 47:2,3,8; 50:10-12; 95:3-5; 135:5; 145:11-13; Ap.19:6).

Já imaginou um Deus que depende do homem para agir? Com certeza Ele entraria em enrascada se estivesse sujeito às oscilações da vontade humana. Eu mesmo não queria um Deus desse tipo. Prefiro o Deus da Bíblia que “tudo faz como lhe apraz”. (Sl 115:3). 

2 – A Doutrina da confissão positiva enaltece o homem. 

Quando entendemos biblicamente quem na realidade é o homem, ficamos sobremaneira conscientes de nossas falhas e limitações. Quanto mais a confissão Positiva enaltece o homem, mais eu vejo o seu erro. A Bíblia nos mostra claramente que o homem nada é comparado ao Senhor nosso Deus.

A Bíblia retrata como na verdade é o homem (Ezequiel 16:4-5; Is 1:6 Rm 3:10-18; Sal 51:5; 58:3; Is 48:8; João 5:40; Rm 1:28; 3:11, 18; II Pedro 3:5; Rm 8:8; Jr 13:23; João 6:44-45; Rm 8:6-8; Ef 4:18; Rm 1:21; Jr 17:9). 

3 – A Doutrina da confissão positiva dá mais valor a palavra falada do que às Escrituras. 

Onde fica a luta de reformadores como Lutero? Muitos foram aqueles que lutaram para que hoje tivéssemos a Palavra de Deus em nossas mãos. Muito sangue foi derramado para que pudéssemos ler às Escrituras sem a interferência da vontade humana. Onde fica o princípio da “Sola Scriptura”? A Bíblia deixou de ser relevante para as nossas vidas? Creio firmemente que não e os textos bíblicos confirmam isso – Sl 19:7-11; Sl 119; Jo 5:39; Rm 15:4; II Tm 3:16-17.

Amado irmão, se precisássemos apenas falar e declarar para que as circunstâncias adversas fossem resolvidas e vivêssemos rica e abundantemente sem problemas, então porquê a Bíblia dá tanta ênfase a suportar o sofrimento? Se Paulo tivesse o poder de parar de sofrer decretando, então como foi que ele teve que ficar com o espinho na carne? Deixemos de incoerência e vivamos a verdade da Palavra do Senhor!

“Por isso sinto prazer nas fraquezas, nas injúrias, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias por amor de Cristo. Porque quando estou fraco então sou forte”. II Co 12:10. 

4 – A Doutrina da confissão positiva dá um conceito simplista da fé cristã. 

O evangelho de Cristo é o evangelho da cruz, da renúncia, do arrependimento, do nascer de novo. O cristianismo de hoje é um cristianismo sem cruz, sem sacrifícios. Gosto de dizer que é o “evangelho boa vida”, evangelho “não-faça-nada-e-ganhe-tudo”. Esse não é o evangelho de Cristo. Basta vermos alguns textos para comprovar o que estou dizendo – Jo 3; Mt 16:24; Mc 8:34; Lc 9:23; Gl 6:12; Mt 3:8; Lc 5:32; II Pe 3:9, etc. 

5 – A Doutrina da confissão positiva não tem o respaldo na História da Igreja. 

Fico imaginando Lutero ou Calvino orando da seguinte maneira: “Eu decreto que a partir de hoje o papado vai morrer, reivindico que todos os inimigos do evangelho sejam transportados para o inferno. Declaro explicitamente que não mais haverá mais heresias e que os inimigos da cruz de Cristo vão desaparecer da face da terra. Está decretado em nome de Jesus!”

Essa oração nunca aconteceu. Dentro da História da Igreja não se tem notícia de coisas absurdas como essa. Será que todos os grandes homens de Deus estavam enganados a respeito de sua fé? Quando examinamos biografias diversas dos homens de Deus, seja de quem for, notamos uma única nota coerente em todos: Verdadeira humildade. Todos foram humildes em afirmar a soberania de Deus e a fraqueza do homem. Agora, o homem quer mandar em Deus? Meus amados somos servos e não senhores. E basta para nós sermos apenas servos. 

Conclusão: Estude a Palavra e não fique por ai repetindo, como papagaio, aquilo que você escuta na televisão. É muito fácil pregar heresias. É muito prático dizer um “abracadabra” evangélico para que tudo se resolva. Difícil é estudar com afinco às Escrituras, passar horas debruçado sobre as páginas santas desse livro. Buscar de Deus o verdadeiro sentido da vida, entender às verdades centrais desse livro, no entanto, é salutar.

Como a Igreja do Senhor está precisando de bereanos hojeem dia. Vocêquer ser um deles? Oxalá que sim! Deus o abençoe.

NOTAS:
(1) A Sedução do Cristianismo, pg 268.
(2) Retirado da Internet – http://br.geocities.com/ipnatal
(3) Revista Eclésia, Ano V, Nº 67, Junho de 2001, pg 26.
(4) A paz Interior, pg 14-15, 8 a . edição, Record, Rio de Janeiro – 1979.
(5) Linhares, Pg. 16, 18.
(6) Somos Deuses? P. 28
(7) Bíblia de Genebra, p.732

Fonte: NAPEC
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As bênçãos de Deus ou o Deus das bênçãos? Mais uma heresia neopentecostal



Por Pr. Wilson Porte Jr.



Pérolas de heresias modernas:

Sim, trouxa. Ok, Trouxa3… É ruim, meu irmão! Eu plantei oferta na Casa de Deus e vou colher bênçãos materiais na minha vida!” Pastor Silas Malafaia

São os apóstolos que são os responsáveis para fazer a rota do caminho real. Somos patriarcas, enviados de Deus para o grande milagre. Deus usa os apostólicos para fazer milagres, prodígios e maravilhas.” Patriarca Renê Terra-Nova
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A Bíblia nos fala de vários homens que desperdiçaram suas vidas. Estes, ainda que negativamente, são exemplos para nós. Eles, embora péssimos exemplos, apontam o caminho que nenhum de nós deve jamais trilhar.

Um destes foi Simão, o Mágico. Ele foi de Samaria. Corrupto, Simão confundiu as bênçãos de Deus com o Deus das bênçãos.

O texto de At 8.9-25 nos mostra o “testemunho de Simão”. Mas, quem foi Simão, o mágico?

Conhecido na história da igreja como o pai do gnosticismo (o ser humano é salvo por meio de conhecimentos secretos acerca de Deus, e não pelo que Cristo fez na cruz por ele), Simão foi muito citado pelos pais da igreja. Justino, o Mártir (165 d.C.), certa vez escreveu que “os samaritanos consideram Simão um deus supremo por causa de seus poderes”. Irineu de Lyon (202 d.C.), em seu famoso livro Contra as heresias, o mencionou como o “fundador da seita agnóstica”.

Como começa o erro de Simão? Em At 8.13, lemos que ele “abraçou a fé”. Você já parou para pensar nessa expressão e como ela está ligada a um homem perdido? Simão ABRAÇOU A FÉ, ele simplesmente CREU, sem se arrepender e mudar. Abraçar a fé sem arrependimento é igual à perdição!

Existe um grande perigo de nós também simplesmente crermos, mas sem nos arrependermos e assumirmos um compromisso de mudança perante Deus. Abraçar a fé como Simão significa que um dia você pode soltar da fé. Logo, a fé não é para ser abraçada, mas recebida no coração como um dom de Deus (Ef 2.8).

A fé não deve ser abraçada. Você não deve simplesmente estar disposto a crer, como quando está disposto a presentear alguém, ou simplesmente sair para tomar um café. A fé não é algo que você escolha abraçar de uma hora para outra na sua vida. A fé é um presente de Deus para você e que muda completamente a sua vida! Por isso, os discípulos pediam: dá-nos mais fé; aumenta a nossa fé…

Quais os perigos de alguém simplesmente abraça a fé, mas não se arrepende? Simão começou uma seita, o gnosticismo. Ou seja, ele criou uma religião segundo a sua mente. Este é um grande perigo de quem apenas abraça a fé.

Outro perigo é colocar os sinais, milagres e dinheiro no lugar de Cristo (v. 19-20). A expressão grega aqui é: τὸ ἀργύριόν σου σὺν σοὶ εἴη εἰς ἀπώλειαν = “O seu dinheiro com você sejam destruídos” (tradução livre). Quando abraçamos a fé, trocamos Cristo por dinheiro e coisas sobrenaturais.

E um último perigo, à exemplo de Simão, é sempre esperarmos que alguém faça alguma coisa por nossas vidas. Esperar que outros intercedam, que outros peçam perdão por nós.

A resposta de Pedro para aquele que apenas abraçou a fé foi: arrependa-se (v. 22). Simão estava atrás de poder! Mas, como hoje, naquela época as pessoas tinham uma ideia errada sobre o que é poder. Dentro das igrejas de hoje, as pessoas tem ideias absurdamente erradas sobre o significado de poder. Muitos buscam poder, sem saber o que isso significa! Poder não é a capacidade de realizar milagres, falar novas línguas, ressuscitar os mortos, e outras coisas extraordinárias.

Hoje as pessoas correm atrás do domínio. Maridos querendo dominar esposas, esposas aos maridos, filhos aos pais e patrões aos seus funcionários. Não jogue sua vida fora pensando que poder é sinônimo de autoridade, que poder é medido pela quantidade de pessoas sobre quem você tem influência, que poder é algo que você deve transmitir pelo seu comportamento (aparência externa), ou ainda que poder é sinônimo de vocês ser cabeça e não cauda.

Poder não tem nada a ver com prosperidade, com ter condições de comprar o que sempre quer. ISSO NÃO É PODER – NÃO DESPERDICE SUA VIDA CORRENDO ATRÁS DESTAS COISAS.

Você quer saber o que é poder?

Isaías 53 nos ensina o que é o poder, ou melhor, o paradoxo do poder! Abra sua Bíblia e analise você mesmo:

Is 53.1-3: O poder não se mede pela aparência externa – que aparência Cristo tinha de poder? Esse foi um dos momentos de maior poder em sua vida;

Is 53.4-7: O poder não se mede pela distribuição de castigo – Cristo, o homem mais poderoso que pode haver, não demonstrou seu poder subjugando ninguém, mas sofrendo e entendendo que aqueles sofrimentos estavam contribuindo para o bem dele e de muitos que O conhecessem um dia.

VEJA: Jesus, fonte de todo o poder, não se preocupou com prestígio, domínio, em ser cabeça, o melhor, o primeiro. NÃO LHE PARECE ESTRANHO QUE O HOMEM MAIS PODEROSO QUE JÁ EXISTIU FOI TAMBÉM O MAIS SIMPLES E SERVO?

CURIOSAMENTE, o livro de Isaías é dividido da seguinte forma (1-39, 40-66). Do capítulo 40 a 66, Is 53.5 é o que fica exatamente no meio! É o “CORAÇÃO DO ANTIGO TESTAMENTO”, como alguns teólogos o chamam. E o que este texto diz? Que a verdadeira felicidade não está em se fazer milagres, em seu dono, em ser cabeça, em ser “poderoso”, famoso, sempre o primeiro, mas está em servir, em ter poder para servir, para amar, para negar seus confortos, abrir mão de seus pecados, e seguir ao Senhor com amor e gratidão. Isso demonstra poder em sua vida!

Simão, o mágico, ao invés de desejar o Senhor, desejou uma bênção, poderes e, com isso, destruiu a sua vida fora.

A CONCLUSÃO QUE FAÇO É QUE, quando as bênçãos e o dinheiro roubam o lugar de Cristo:

Damos grande ênfase à sinais, curas, milagres, etc. (Mt 12:39) – o amor, a alegria, o espanto, a admiração não são para Cristo, sua pessoa e obra, mas para as curas e milagres e sinais;

Criamos um cristianismo segundo a nossa mente – e temos a tendência de achar que somente nós estamos certos, somente nós conhecemos o caminho e o poder de Deus;

Cremos que a entrega de dinheiro no reino de Deus fará com que conquistemos bênçãos desejadas (grande heresia moderna dentro do evangelicalismo).

Se seu coração ainda está vivendo um cristianismo assim, peça a Deus que lhe dê a fé que vem dele (Hb 12.2) e que fará com que você se encante mais com aquilo que Deus é do que com aquilo que Deus possa lhe dar.

Ame a Cristo! Ame a Deus! E quando as bênçãos vierem, dê glória a Deus! Quando as bênçãos faltarem, dê glória a Deus! Quando Deus realizar curas e milagres em sua vida, dê glória a Deus! Quando Deus aparentemente nada fizer em sua vida, dê glória a Deus! Busque amar a Deus mais do que todas as coisas! Queira vir aos cultos para buscar a Deus, sua pessoa, para amá-lo, entendê-lo, apreciá-lo e adorá-lo, e não venha jamais aos cultos querendo ver milagres e sinais pois, segundo Cristo, são os incrédulos que vão atrás dele somente para ver o show da fé.

Ame a Cristo, não ao show! Ame ao Espírito, não os seus sinais! Ame ao Pai, e não as suas bênçãos sobre você.

O caminho estreito, onde poucos estão vivendo e caminhando, é um caminho onde se encontra e sempre se encontrará pessoas que visivelmente amam a Deus com toda a sua força, com toda a sua alma e coração, e com todo o seu entendimento, pessoas que amam a Deus sobre todas as coisas!

Que Deus tenha misericórdia de nós e nos ajude a amá-lo assim e a encontrar a felicidade que está reservada para nós na obediência à Sua Palavra

Se você leu até aqui, convido-o a terminar esta leitura orando o Salmo 119.33-36:

"Ó Senhor Deus, ensina-me a entender as tuas leis, e eu sempre as seguirei. Dá-me entendimento para que eu possa guardar a tua lei e cumpri-la de todo o coração. Guia-me pelo caminho dos teus mandamentos, pois neles encontro a felicidade. Faze com que eu queira obedecer aos teus ensinamentos, em vez de querer ajuntar riquezas."

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A arca da ganância




Por Rev. Leandro Lima




Após a conclusão do Templo de Salomão (que deveria ser chamado Templo de Mamon), surge mais um objeto espantoso: uma réplica revestida de ouro da Arca da Aliança. O objeto era o mais sagrado do antigo templo de Israel, representava a presença de Deus na Velha Aliança. Com a primeira destruição do templo no século 6 a.C., a arca se perdeu, talvez tenha sido levada para Babilônia e derretida. Só o Indiana Jones no cinema conseguiu encontrá-la.

No meu post anterior sobre o templo que teve milhares de compartilhamentos (muito mais do que eu esperava) também recebi algumas críticas. As principais foram: inveja e escândalo para os incrédulos. O velho argumento do “pare de criticar e vá trabalhar” também foi evocado. Sobre “inveja" não vou perder tempo respondendo. Sobre “escândalo”, creio que a acusação está invertida. Não sou eu quem está escandalizando os incrédulos. Segundo a Escritura, os desvios do verdadeiro Evangelho é que são “escândalos”. Além do mais, o mundo precisa saber que há muitos cristãos que não concordam com essas loucuras e megalomanias do Macedo e similares. Sobre “pare de criticar e vá trabalhar”, penso que uma coisa não elimina a outra. Devemos trabalhar, pregar o Evangelho, mas, ao mesmo tempo, temos a responsabilidade bíblica de apontar os desvios que deturpam e envergonham o verdadeiro Evangelho (Gal 1.6-9, Col 3.8, 16-19, 1Tm 4.1-2, 2Tm 4.-5, 2Ped 2.1-3).

Fica cada vez mais explícita a intenção mercadológica de todos esses empreendimentos. Num vídeo que circula na internet, o Macedo chamou os empresários que haviam dado dinheiro para a obra à frente e lhes disse: “agora, Deus fica na obrigação de abençoar você, é uma troca”.



https://www.youtube.com/watch?v=U7_pWt1Z_QU


Se chamei o templo do Macedo de “aberração”, preciso chamar essa arca de “abominação” (Is 44.19). Sim, pois trata-se de um objeto da mais pura e terrível idolatria. As pessoas simples, sem discernimento, olharão para esse objeto pensando que encontrarão ali o seu milagre. Mais uma vez, o grande problema é justamente abandonar o verdadeiro Cristo por objetos feitos por mãos. Deixar de lado a pura e límpida mensagem da Cruz, poderosa para salvar todos os arrependidos, por uma mensagem poluída, gananciosa, que torna os seguidores nada mais do que avarentos em busca de bens materiais.

E nesse caso, há um curioso fator adicional: Em Jeremias 3.16, a Escritura diz: Sucederá que, quando vos multiplicardes e vos tornardes fecundos na terra, então, diz o SENHOR, nunca mais se exclamará: A arca da Aliança do SENHOR! Ela não lhes virá à mente, não se lembrarão dela nem dela sentirão falta; e não se fará outra. O Edir Macedo fez.

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Fonte: Perfil do autor no Facebook













Pastores, líderes ou dominadores?



Por Pr. Narciso Montoto


Vivemos dias sombrios no que concerne a muitos que se chamam de líderes cristãos. Temos contemplado todos os dias templos cristãos sendo abertos não por direção divina, mas por mero orgulho e ganância dos homens. Meu intuito aqui não é falar sobre a abertura desenfreada de templos e ministérios cristãos, mas alertar a cristandade a respeito de seus líderes, trazendo o verdadeiro conhecimento por meio das Sagradas Escrituras do comportamento de um verdadeiro líder cristão em contraposição dos falsos líderes que tomam por título o nome de pastores com um único intuito: dominar completamente a vida daqueles que estão sob seus cuidados espirituais.

Existe um grande abismo entre muitos que lideram igrejas para com o paradigma de Cristo e dos apóstolos. Pastores que se acham no direito de conduzir a vida das pessoas a seu bel prazer. Homens cheios de carisma e boa oratória que nos seus devaneios se utilizam da Palavra de Deus para justificar suas estrapolações. Os mesmos amam a bajulação de seus membros, amam ser adorados e reverenciados por suas ovelhas. Acham-se no direito de gritar com as pessoas. Fato é que muitos que são membros de Igrejas se olvidaram que existe apenas um que é digno de louvor, adoração e veneração, a saber, Deus. Elas põem uma autoridade demasiada sob a vida de seus líderes, como se eles fossem literalmente vigários (substitutos) de Cristo na terra. Os falsos líderes corrompem a verdadeira pregação do evangelho se adequando ao que o povo quer e não a vontade divina. Os mesmos mentem, são falsos com as pessoas, só pensam neles mesmos, impõem suas vontades não levando em consideração a opinião dos outros e muito menos a apreciação divina retratada na Bíblia.

O mundo está repleto de pastores que dominam suas ovelhas emocional, financeiro e psicologicamente, e quase sempre estas atitudes trazem consequências catastróficas. Tais pastores ao invés de ensinarem a Bíblia e sua visão que está centrada em Jesus Cristo impõe sobre seus liderados a sua própria visão pessoal de mundo. Suas visões na grande maioria das vezes são seguidas cegamente pelos membros de suas igrejas, afinal de contas é o “pastor” que detém os oráculos divinos, portanto acham eles que não podemos questionar suas decisões. Tudo isto se deve a uma má interpretação do versículo bíblico que nos diz para honrarmos nossos pastores, mas está longe de cogitação ter que aceitar tudo o que o líder faz ou fala, pois a Palavra de Deus que se encontra na Bíblia Sagrada deve ser nosso único manual de regra de fé e prática.

O apóstolo Pedro em sua primeira epístola nos diz: “Aos presbíteros, que estão entre vós, admoesto eu, que sou também presbítero com eles, e testemunha das aflições de Cristo, e participante da glória que se há de revelar: Apascentai o rebanho de Deus, que está entre vós, tendo cuidado dele, não por força, mas voluntariamente; nem por torpe ganância, mas de ânimo pronto; Nem como tendo domínio sobre a herança de Deus, mas servindo de exemplo ao rebanho. E, quando aparecer o Sumo Pastor, alcançareis a incorruptível coroa da glória” (1 Pedro 5.1-4). O apóstolo Pedro nos concede diretrizes importantíssimas que devem conduzir os líderes cristãos no seu tratar com o rebanho de Deus: 1) ter cuidado dele não por força, mas voluntariamente (não devemos ser pastores por obrigação ou necessidade de dinheiro e reconhecimento, mas devemos ser pastores por vocação), 2) não ser ganancioso, 3) não dominar a igreja (os pastores não são os donos da igreja, são apenas servos a serviço de seu verdadeiro dono, a saber, Jesus Cristo) e 4) ser servo tanto de Deus quanto dos homens.

O verdadeiro líder cristão é aquele que serve a Cristo e não a ele mesmo. Ele é humilde e solicito. Ele toma por paradigma a seu Mestre e procura colocar em prática os ensinamentos de Cristo, pois assim diz as Escrituras: “... Aqueles que me servem não são assim; pelo contrário, o maior entre vós seja como o menor; e aquele que dirige seja como o que serve” (Lc 22.26 – Ênfase do autor). Nesta Perícope os discípulos arrazoavam qual deles deveria ser o maior ou o mais importante no Reino de Deus, é aí que Jesus quebra com os paradigmas do mundo que jazem no status e jactância dos homens mostrando através de suas palavras que para ser o maior no Reino de Deus deveríamos ser os menores no mesmo, já que Jesus sendo Deus não veio ao mundo para ser servido, mas para servir.

Tomando como paradigma a Jesus, notamos que o verdadeiro líder cristão não tem como metas pessoais ser reconhecido por seu trabalho aos olhos dos homens, não almeja por riquezas e muito menos por status social, ademais não se coloca acima das ovelhas do Senhor como se fosse superior ou mais importante do que elas. Percebemos que o verdadeiro líder é um individuo temente a Deus e que procura acima de tudo colocar em prática o altruísmo sendo o seu desejo não ser servido pelas ovelhas, mas o de servi-las.

O verdadeiro pastor não é aquele que vive expulsando as ovelhas do aprisco quando as mesmas não concordam com sua visão de mundo ou com suas colocações, mas é aquele que deixa noventa e nove ovelhas no aprisco para buscar aquela que fugiu. O verdadeiro líder é aquele que direciona através de palavras que edificam e não aquele que impõe sua vontade. O líder autentico constituído por Deus é aquele que não se faz o cerne da Igreja, mas que delega funções entre suas ovelhas confiando nas mesmas, pois Cristo é o verdadeiro e único Cabeça da Igreja.

Que possamos saber distinguir aqueles que procuram glória para Deus e o fazem Seu guia daqueles que procuram glória para si mesmos. Todos somos ovelhas de Cristo, mas não nos esqueçamos de que existem os verdadeiros e falsos líderes cristãos. Não se deixe engodar por belos discursos e pela falsa espiritualidade, firmem-se nas Sagradas Escrituras, pois apenas ela pode nos direcionar. O verdadeiro líder preocupa-se com suas ovelhas, as ama, as admoesta e procura acima de tudo ensinar-lhes o que Cristo os ensinou. Honrem seus pastores, mas não se olvidem que honrar não significa segui-los cegamente.

Soli Deo Gloria!

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Púlpitos traidores!! O que fazer?

Por Josemar Bessa






Judas Iscariotes parece uma escolha totalmente improvável para ser um dos discípulos de Cristo. Descobrimos com o desenrolar da história que ele acabou por ser um ladrão, um traidor e uma homem em quem a graça de Deus nunca transformou.

Isso é chocante, tão próximo ao Deus encarnado, junto a tantos outros que se tornaram o instrumento de Deus para a revelação final sobre Ele (Novo Testamento)... Mas Jesus não cometeu nenhum erro ou colocá-lo ali, Jesus não agiu em ignorância... Na verdade a Bíblia diz claramente que Jesus não necessitava que alguém testificasse sobre qualquer homem que seja, porque Ele sabia o que havia no mais profundo do coração de cada homem: “E não necessitava de que alguém testificasse do homem, porque ele bem sabia o que havia no homem.” - João 2:25

Ele sabia o que estava no coração de Judas, ele sabia que no tempo certo ele iria revelar-se um ladrão, ele sabia que no tempo adequado Judas o trairia, ele sabia, sendo Deus, que Judas jamais havia nascido de novo. Novo nascimento é ação soberana de Deus: “Os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus.” - João 1:13

Não podemos ter nenhuma dúvida que na  escolha de Judas como um dos 12, o Deus eterno, o Filho do Homem... sabia o que e porque estava fazendo. Como tudo que Cristo fez, isso foi feito deliberadamente e com sabedoria infinita.

Quanta coisa isso nos ensina, isso deve nos encher de humildade, como disse J. C, Ryle. Os ministros do evangelho, por exemplo, não podem supor que simplesmente uma ordenação necessariamente transmite graça, ou que uma vez ordenado o homem não deve mostrar em sua vida sempre e sempre os sinais de um homem que de fato foi regenerado.

Pelo contrário, mostra que não uma igreja, mas que um homem ordenado pelo próprio Cristo era um hipócrita miserável... todos nós então devemos nos manter humildes, não confiando em ordenações externas, mas focados naquilo que Pedro diz fazer firme – demonstrar a realidade – da nossa Eleição: “E vós também, pondo nisto mesmo toda a diligência, acrescentai à vossa fé a virtude, e à virtude a ciência, E à ciência a temperança, e à temperança a paciência, e à paciência a piedade, E à piedade o amor fraternal, e ao amor fraternal a caridade. Porque, se em vós houver e abundarem estas coisas, não vos deixarão ociosos nem estéreis no conhecimento de nosso Senhor Jesus Cristo. Pois aquele em quem não há estas coisas é cego, nada vendo ao longe, havendo-se esquecido da purificação dos seus antigos pecados. Portanto, irmãos, procurai fazer cada vez mais firme a vossa vocação e eleição; porque, fazendo isto, nunca jamais tropeçareis.” - 2 Pedro 1:5-10

Judas Iscariotes nos dá um terrível aviso (Para líderes principalmente) a não confiarmos em nossos dons, trabalho, quaisquer serviço, qualquer sucesso... como prova e certeza da aceitação divina – que as marcas verdadeiras são indispensáveis, “a santidade, sem a qual ninguém verá o Senhor!”

Outra lição devemos tirar aqui. Podemos ficar chocados e achar estranho que entre os 12 discípulos  a quem Cristo chamou pessoalmente e enviou para chamar os pecadores ao arrependimento, incluísse um homem não convertido... mas não se espante se achares muitos pregadores não convertidos nos púlpitos de hoje. Em meio a verdades como essa, Deus quer nos mostrar que nada disso é surpresa para Ele e nem pode frustrar o seu plano Eterno e perfeito. Judas Iscariotes não pôde, acabou tendo um papel dramático no propósito de Deus, sua maldade não frustrou Deus...Deus, apesar dos dias escuros e tristes que vivemos, quer nos ensinar que Cristo ainda é o chefe, o Cabeça de sua Igreja; e que Ele ainda está governando sobre tudo e que tudo que acontece no tempo, tem sido “preordenado por Deus” – com Paulo diz em Efésios 1.11: Nele, digo, em quem também fomos feitos herança, havendo sido predestinados, conforme o propósito daquele que faz todas as coisas, segundo o conselho da sua vontade”

Quão poderoso são os desígnios de Deus: “O profundidade das riquezas, tanto da sabedoria, como da ciência de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis os seus caminhos!” - Romanos 11:33 – Deus mostra claramente que mesmo o pecado humano e o intento maligno de satanás (que é totalmente anti-Deus)  não frustrarão e terão que cooperar com seu propósito eterno. Assim o determinado conselho de Deus estava envolvido, não só na crucificação de Cristo, mas também em todos os eventos que levaram a ela – incluindo a escolha de Judas como um discípulo, sua traição ao seu Mestre, a crueldade da cruz romana... ainda que em todos esses eventos, o pecado fosse inteiramente fruto do coração mau do homem natural e tivesse motivações completamente contrárias a Deus – teriam que servir ao Seu propósito: “A este que vos foi entregue pelo determinado conselho e presciência de Deus, prendestes, crucificastes e matastes pelas mãos de injustos;” - Atos 2:23

Cristo estava no pleno controle (Como está hoje e por toda eternidade passada e futura) no controle de todos esses eventos. Não importa o quão viciosa ou diabólica oposição que Ele tenha encontrado aqui, enquanto andou por este mundo, nunca houve eventos que começassem fora da espiral do seu controle absoluto e soberano. O que acontece também neste exato momento. Que paz isso traz ao coração regenerado. “Deus reina” mesmo nos momentos mais escuros e que parecem de total fracasso, como a cruz.

E nesses momentos de escuridão e perplexidade ( como na cruz – o evento mais cruel da história, a maldade humana em seu ápice – “matamos” Deus), por mais difícil que seja para nós reconhecermos o fato, tudo aconteceu para a glória de Deus. Salvando por graça, mostrando sua justiça, mostrando a maldade completa do coração humano: “...a luz veio ao mundo, e os homens amaram mais as trevas do que a luz, porque as suas obras eram más.” -  João 3:1 – mostrando sua ira contra todo pecado, mostrando que tudo está sobre seu domínio completo...

Na escolha de Judas podemos ver, como disse Matthew Henry, que não precisamos ficar surpresos ou desanimados se em qualquer tempo, os mais vis homens surgirem no meio daqueles que deviam ser baluartes da Verdade.

Em dias de apostasia e heresias como os nossos, podemos estar certos de que nunca houve, nem nunca haverá, um momento em que o Rei dos reis não estará no controle de todos os eventos.

Paulo foi inspirado a colocar por escrito um aviso para os crentes de Tessalônica ( para todos nós, na verdade), sobre determinados eventos na história nos quais a igreja deve esperar, e não se surpreender quando os vê: “Ninguém de maneira alguma vos engane; porque não será assim sem que antes venha a apostasia, e se manifeste o homem do pecado, o filho da perdição, O qual se opõe, e se levanta contra tudo o que se chama Deus, ou se adora; de sorte que se assentará, como Deus, no templo de Deus, querendo parecer Deus.” - 2 Tessalonicenses 2:3-4

A “apostasia” aqui descrita, é gradual, e de dentro da igreja para fora. As heresias e a apostasia são coisas terríveis com quais temos que conviver em nossa geração e combatê-las como bons soldados de Cristo. Mas como no passado, o Senhor determina e nos coloca em dias assim deliberadamente, deliberadamente e com profunda sabedoria. Amamos a verdade? Nossa geração nos dá mil oportunidade ( dentro da igreja visível e no mundo ) para termos uma constatação se de fato a amamos.

Toda a corrupção da igreja nos dias da Reforma, forneceu o contexto para uma exibição do poder da graça de Deus – ainda que as pessoas que estivessem vivendo naqueles dias, a princípio tivessem uma compreensão limitada da providência de Deus em operação. Perseguição, martírio... todos contextos onde a graça se mostrou suprema, soberana e invencível. Então o poder da graça nos anima na batalha pela verdade em nossos dias: “...tive por necessidade escrever-vos, e exortar-vos a batalhar pela fé que uma vez foi dada aos santos.” - Judas 1:3

Vivemos numa época de grande e longo período de declínio espiritual, secularização da igreja, mundanismo... os deuses da cultura sendo adorados na “igreja” no lugar do Deus vivo... A Bíblia sendo rejeitada como totalmente suficiente, a mente humana, suas estratégias, seu pragmatismo... sendo pregado como se evangelho fosse... tantos púlpitos traidores da verdade...

Você pode perguntar, porque Deus está permitindo isso? Por que o falso evangelho se expande...? Por que o secularismo se tornou o “evangelho” das multidões? Deus quer que fique claro para você e para mim, que toda a situação, como em todo tempo na história, não está fora do controle de Deus. Ele ainda reina. Ele ainda está trabalhando seus propósitos eternos para Sua glória e a manifestação de tudo que Cristo é.

Quando as águas do Dilúvio destruíam tudo, quando a Arca parecia completamente vulnerável e indefesa diante de tão grande torrente, alguém poderia pensar que tudo aquilo estava fora de controle. Mas Noé e sua família estavam em segurança e salvos, Deus controlava toda aquela torrente poderosa. Assim estão aqueles que de fato estão em Cristo, que são igreja de fato.

É verdade hoje como sempre foi, que tudo que nos assombra, coopera para o propósito do Deus Todo-Poderoso: “O SENHOR se assentou sobre o dilúvio; o SENHOR se assenta como Rei, perpetuamente. O SENHOR dará força ao seu povo; o SENHOR abençoará o seu povo com paz” - Salmos 29:10-11

Olhe para o Dilúvio de mundanismo, heresia, apostasia... que invadiu a igreja visível de nossos dias como as águas cobriam o mundo de Noé. Como Noé, os filhos de Deus tem motivos para confiar nele e adorá-lo por seu agir, por sua sabedoria com a qual Ele governa sobre tudo, na igreja e no mundo. A situação atual, moral, espiritual... a situação da igreja visível... Fale como Isaías que viveu também dias de apostasia, heresias... como nós: “Eis que Deus é a minha salvação; nele confiarei, e não temerei, porque o SENHOR DEUS é a minha força e o meu cântico, e se tornou a minha salvação” - Isaías 12:2

Fonte: Site do autor