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A Graça da Garça

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Só os músicos são levitas?




Há um enorme equívoco no meio evangélico que se enraizou na mente de alguns crentes, quando o músico, ou ministro de louvor é exclusivamente chamado de levita da casa de Deus. Assim como muitos erros de interpretação bíblica causaram enormes contradições pela falta de harmonização de textos com contextos, apesar do caso aqui exposto se tratar de contexto remoto, gramatical, histórico e cultural, a comparação feita especialmente do músico atual para com o levita da Bíblia é mais um exemplo disso.

Mas, quem eram, de fato, os levitas descritos na Bíblia? O que eles realmente faziam? Que ligações possuem os levitas das Escrituras com os “levitas” de nossos dias? Quais os equívocos causados quanto ao assunto em questão?

Os levitas eram os membros da tribo de Levi, terceiro filho do patriarca Jacó. Formavam uma tribo separada, sem território, sem herança terrena, sem recenseamento com as demais tribos, porque tinham a benção do alto privilégio de ter o Senhor como sua posse (Dt. 10.9). Era a tribo dos sacerdotes (cohanim), descendentes de Arão, por sua vez descendente de Levi (Ex. 29.44; Nm. 3.10). Isso quer dizer que todo sacerdote (cohen) era levita, mas nem todo levita era sacerdote (Nm. 3.6ss).  É claro que encontramos pequenos resquícios literários de sacerdotes que não eram levitas, principalmente na época dos juízes e no início da monarquia, mas isso é um outro assunto.

As funções dos levitas

O Dr. Henry Hampton Halley, no “Manual Bíblico de Halley” mostra que o ministério levítico era amplo em suas atividades, diferente em relação ao que se pensa em nossos dias. Os levitas tinham uma atividade honrosa que compreendia: o serviço no santuário (Nm 3.6; 1º Cr 15.2) o auxílio nos sacrifícios (Jr. 33.18,22), no transporte da Arca da Aliança, na responsabilidade para com o ensino da Lei (Dt 31.9; 22.10), na música (1ª Cr. 25.1) e, no uso da autoridade para abençoar. “Parece, portanto, que os deveres dos levitas incluíam tanto o serviço de Deus como um papel de relevância no governo civil”, conclui Dr. Halley(Manual Bíblico de Halley – p. 222, Ed. Vida – 9ª reimpressão 2011).

Davi foi o responsável por inseriu a música como parte integrante do culto, afinal, ele era músico e compositor desde a sua juventude (1º Sm.16.23). Atribuiu a alguns levitas a responsabilidade musical. No 1º livro das Crônicas capítulos 9.14-33; 23.1-32; 25.1-7, vemos diversas atribuições dos levitas. Havia então entre eles porteiros, guardas, padeiros, cantores, instrumentistas e até o tesoureiro era levita (1ª Cr. 26.20-28; 2º Cr. 5.13; 34.12).

Os levitas em nossos dias

Deixo bem claro que o ministério levítico descrito na Bíblia, teologicamente interpretado, não possui sequer nenhuma ligação com os chamados “levitas cristãos” de nossos dias. A começar pela ampla organização ministerial, postura, atividade, contexto histórico, religioso e cultural, promessas bíblicas, seleção, critérios, períodos e épocas.

Mas, não poderia deixar de considerar a forma do uso atual, pois, se torna importante esclarecer aqui, que a verdade no que tange ao “levitismo evangélico”, ficou obscura por causa do erro interpretativo das Escrituras propagado pelos não estudantes da Bíblia. Ou seja, se queremos assim considerar o ministério levítico em nosso meio, á luz da Palavra de Deus, todos os que servem em qualquer ministério relacionado ao culto e ao templo, podem e devem ser chamados também de “levitas”.

A falsa ideia de que apenas músicos são levitas, mais uma vez considerando teologicamente o assunto no contexto atual, é totalmente contrária aos textos e relatos bíblicos. E mais, se torna um fato irônico chamar de levita aquele músico que, muitas vezes, exerce seu ministério na igreja tendo uma irreverência explícita no próprio culto, confundindo a adoração coletiva com seu show particular e, ignorando o conhecimento teológico e profundo da Palavra, o que o distancia mais ainda dos levitas bíblicos que possuíam grande sabedoria das Escrituras e extrema visão espiritual.

Concluo expressando o desejo de que os verdadeiros cristãos, que buscam para si a mesma nomeclatura do chamado levítico, possam exercer seus ministérios de uma forma em que suas ações possam refletir, pelo menos, uma expressiva parcela da responsabilidade, zelo, dedicação e compromisso dos levitas da Bíblia Sagrada.

Fonte: Napec

Misticismo religioso no contexto da igreja





Como bem falou o grande “príncipe dos pregadores”, o grande C. H. Spurgeon, a mais de cem anos: “A apatia está por toda à parte. Ninguém se preocupa em verificar se o que está sendo pregado é verdadeiro ou falso. Um sermão é um sermão, não importa o assunto”. Esta ainda é a realidade de muitas igrejas em nosso século.

O QUE É MISTICISMO?

Esta palavra pode significar muitas coisas dependendo do contexto que está inserida. Por exemplo: Se alguém gosta de orar muito ou de buscar de maneira enfática o poder de Deus, ele é denominado por alguns de místico. Vejamos uma definição de misticismo:

Aurélio: 
Misticismo: 
1. Crença ou doutrina religiosa dos místicos; 
2. Disposição para crer no sobrenatural. 

Místico: 1. Misterioso e espiritualmente alegórico ou figurado. 
2. Relativo à vida espiritual e contemplativa;
3. Religioso; 
4. Aquele que procura atingir o estado extático de união direta com a divindade.

Misticismo: 
Conjunto de normas e práticas quem tem por objetivo alcançar uma comunhão direta com Deus. O problema que os místicos sempre exaltam a experiência em detrimento a Palavra. É a atitude da pessoa que deposita sua confiança em algo que não existe, ou, mesmo que exista, é ineficaz. Exemplos: orixás, iemanjá, ninfas, duendes, ídolos, amuletos, simpatias, água benta, óleo ungido, galho de arruda e sal grosso. Seu nome deriva do termo grego “mystikós”, relativo aos mistérios. Estes eram religiões herméticas, somente reveladas aos iniciados, que deviam fazer voto de guardar total silêncio a seu respeito. Na Grécia antiga, conhece-se os mistérios de Elêusis e de Dioniso como seus principais representantes. O adjetivo “mystikós” deriva do verbo “mio”, que significa fechar; mais especificamente, fechar os olhos, porta de entrada do mundo sensível, para que se torne possível o acesso a uma experiência de ordem anímica ou espiritual; e fechar a boca, para que esta não procure falar disso que, em sua essência, manifesta-se como indizível.

Em sentido amplo, podemos considerar a mística como a irrupção do absoluto dentro da vida humana. Para a filosofia neoplatônica, a mística é a atividade que conduz ao contato direto entre a alma individual e seu fundamento divino. Este contato possui o caráter de participação da alma em Deus. Para isso, é preciso deixar de lado a realidade sensível, uma vez que Deus é intelecto puro, sendo a alma, de caráter inteligível, a única via de acesso a Ele.

A mística neoplatônica influenciou marcadamente o pensamento de vários filósofos e teólogos da Idade Média, de modo a que se constituísse, assim, uma mística cristã medieval. A mística é trabalhada pelos pensadores alexandrinos, em especial Orígenes e São Clemente, em relação à história da salvação por Cristo e à experiência de apreensão da Unidade Trinitária de Deus. Também no gnosticismo ela se faz presente. Os Pais da Igreja alargam esta noção, denominando místico todo o conhecimento da realidade divina, cujo acesso é facultado através de Cristo. Santo Agostinho a define como uma iluminação da alma pela luz procedente de Deus. Entre os séculos XI e XIV, ela aparece como contraposição à tendência excessivamente racionalista da teologia e filosofia escolástica. No século XVI, a mística volta a ser intensificada, especialmente na Espanha, através de São João da Cruz e de Santa Teresa d‟Ávila.

Além dos acima citados, os principais representantes do pensamento místico no Ocidente são Fílon, Dionísio Aeropagita, São Bernardo, São Boaventura, João Gerson, Mestre Eckhart, João da Bohêmia, João Ruysbroek, Angela de Foligno e Ângelo Silésio.

MISTICISMO MODERNO

O problema é que quase sempre, os místicos são induzidos a prescindir da Bíblia e se basear apenas em suas experiências. Este é um dos grandes problemas dos neopentecostais, pois eles colocam suas experiências acima da Bíblia e dão a ela uma interpretação particular fora dos recursos hermenêuticos.

O Misticismo neopentecostalista é a mistura de figuras, objetos e símbolos para representarem elementos espirituais. Eles tomam figuras do Antigo e Novo Testamento e as espiritualizam, transformando-as em “proteções” semelhantes às usadas pelas magias pagãs. E deste ato aparecem crentes com fitinhas no braço, com medalhas de símbolos bíblicos, ungindo portas e janelas com azeite, colocando sal ao redor da casa para impedir a entrada de maus espíritos; outros bebem copos de água abençoada, usam óleos consagrados em Jerusalém, guardam gravetos que misteriosamente aparecem brilhando nos montes, ungem roupas para libertar as pessoas e etc.

As magias pagãs estabelecem como pontos de contatos objetos tais como amuletos, talismãs, patuás, cristais, pedras e coisas para “proteção”. O problema é que tais pessoas acabam baseando sua fé em objetos. Estamos vendo novamente a famigerada doutrina da Idade Média das indulgências, só que agora no meio evangélico. A bênção é comprada. Quando mais dá, mais bênção. Hoje em dia, estão sendo chamadas de correntes místicas todas as crenças em seres intermediários, sejam anjos, demônios do bem e do mal, forças ocultas e todos os poderes que podem interferir no cotidiano das pessoas e que têm que ser dominados e controlados. Este tipo de misticismo poderia englobar as correntes da Teologia da Prosperidade e da Nova Era.

Essa tendência pode ser vista no número cada vez maior de pessoas que acreditam em uma revelação especial fora da Bíblia, que buscam nortear-se por sonhos e visões e não pela Palavra de Deus. Com a perda crescente dessa norma objetiva como regra de fé e prática a tendência é buscar o subjetivismo e emocionalismo. Cada um passa a crer naquilo que os grupos têm experimentado, e por isso o testemunho de experiências sensacionais vai cada vez mais substituindo o lugar da pregação da Palavra de Deus no culto.

É uma prática usada por várias seitas. Por exemplo: A ROSA-CRUZ. Utiliza-se de objetos em suas práticas ocultistas tais como: incenso, estátuas, toalhas, aventais, bandeiras, decalques, discos, fitas K-7; publicações como monografias, de vários graus, enviadas pelo Correio para os membros do Sanctum da Grande Loja. Promete desenvolver o poder da vontade; manter a saúde; superar hábitos maus, atingir uma conscientização cósmica; mudar o ambiente; superar o complexo de inferioridade; decifrar antigos símbolos.

O Misticismo tem estado presente em todas as épocas da humanidade. O Evangelho e as cartas de João e Colossenses foram escritos para combater o pensamento gnóstico que era cheio de misticismo (Cl 2.16-23). O Misticismo está intimamente ligado ao panteísmo (tudo é Deus e Deus é tudo). Nos Estados Unidos houve um movimento chamado Transcendentalismo que foi influenciado pela filosofia Hindu, paralelamente a isso foi fundado o movimento teosófico por Helena (Madame) Blavatsky, escritora russa. Paralelamente surgiu a Ciência Cristã. O que eles tinham em comum?

A idéia de que o homem deve desenvolver a sua divindade. Se descobrir o pleno poder que existe dentro deles. Tendo o poder sobre a enfermidade, dos problemas etc. Essek Kenyon, pastor evangélico, estudou numa das escolas da Ciência Cristã. Começou a pregar que nós somos pequenos deuses, que temos o poder de criar a realidade pelo que nós dizemos. Ele discipulou pela sua literatura Kenneth Hagin que introduziu grandes heresias dentro da igreja evangélica. No Brasil, a literatura de Hagin foi introduzida por R. R. Soares.

HERESÍAS DENTRO DAS IGREJAS

“Se existe algo que a história nos ensina, este ensino é que os ataques mais devastadores desfechados contra a fé sempre começaram com erros sutis surgidos dentro da própria igreja”. – John F. MacArthur Jr.

ORAÇÃO MÍSTICA
R. R. Soares disse certa vez: “Nunca ore dizendo; Faça a tua vontade”. Paul (David) Yonggi Cho, especificando seus pedidos sobre a escrivaninha, bicicleta e a cadeira de rodas, disse: “Depois que aprendi a especificar os meus pedidos, eu não tive mais medo de Deus errar na entrega”. No entanto, veja estas passagens: Sl 94.10; Is 29.16 e Mt 6.8.

Resposta Bíblica. 
Contradizendo o que esses pregadores ensinam veja os seguintes exemplos: O pedido de Moisés (Dt 3.23-27), o espinho na carne de Paulo (2Co 12.7-10) e o próprio Jesus (Mt 26.39). O conselho de Tiago (4.13-16) A galeria dos heróis da fé (Hb 11.32-40). A Falácia do “Há poder em suas palavras” (até para criar) Exemplos bíblicos: Jacó (Gn 42.36); Davi (1Sm 27.1); os jovens na fornalha (Dn 3.17,18) e o pai do jovem lunático (Mc 9.23,24). Todos cristão, por mais fiel que possa ser, sempre passará por tribulações.

Usam palavras mágicas, é o “abracadabra” da fé. Não é preciso pedir e sim exigir. Jesus não só nos ensinou a orar: … seja feita a tua vontade (Mt 6:9 e 10), como também pôs em prática o que ensinou: … todavia, faça-se a tua vontade … (Mt 26.42). Pronunciar uma frase por deliberação própria e dar a entender que está autorizado por Deus, sem, na verdade, estar, é enganar o rebanho do Senhor. Deus não opera onde há engano; não compactua com enganadores e não terá por inocente aquele que tomar seu nome em vão (Êx 20.7).

HINOS ESTRANHOS E SEM CONTEÚDO: 
Devemos oferecer a Deus um culto racional – Rm 12.1-2. A música está sendo usada para animar os crentes. Há um triunfalismo exarcebado. A verdadeira adoração é voltada para Deus, nunca para o homem. O louvor místico não é adoração a Deus, mas instrumento de psicologia humanística. Quase não há hinos que exaltem a Pessoa de Deus.

Onde está a Cruz em nosso meio? Os grandes temas e mensagens de hoje são: “Você pode!”; “Você tem poder!”; “Você faz e acontece!” Além disso, você é que diz se pode liberar, soltar, prender e conquistar. É o homem, mediante fé na fé, que obriga Deus a agir. O sangue de Jesus virou uma confissão positiva-mágica, para ser usada antes de um tá amarrado! Assim, o sangue de Cristo não purifica mais todo o pecado, mas virou palavra de ordem para amarrar o pecador. O grande problema é que o fogo divino depende de Deus e o fogo humano é produzido a qualquer hora, circunstância e empolgação. “Emoções fortes despertadas durante o culto não constituem necessariamente uma evidência de que houve verdadeira adoração” – John MacArthur Jr.

OS CRENTES NÃO PODEM ADOECER: 
Os pregadores da fé afirmam que tanto a salvação quanto à cura física estão totalmente garantidas em Is 53.4,5. Veja Mt 8.14-17 e 1Pe 2.24. Ora, em Mt 8.14-17, Jesus ainda não havia morrido. Assim, o que Mateus quis dizer é que dentre as atribuições do Messias, uma delas seria curar os enfermos. Quanto ao texto de 1Pedro 2.24, podemos ver que o apóstolo aplicou a passagem de Isaías 53 para se referir ao pecado e não à enfermidade física. Deus cura sempre? A enfermidade de Timóteo (1Tm 5.23), de Trófimo (2Tm 4.20) e de Epafrodito (Fp 2.25-30). O espinho na carne do apóstolo Paulo (2Co 12.7-10). Veja Gl 4.13-15; 6.11 e At 23.1-5. A morte do profeta Eliseu (2Rs 13.14-21). Devemos nos lembrar que há uma cura melhor que a do corpo, é a cura da alma. Tenhamos mais medo do pecado que dos sofrimentos.

PROFETISMO SEM BÍBLIA: 
Escutamos frequentemente: “Eu profetizo!”; “Profetize pra seu irmão”. A Bíblia ensina que a profecia não depende do “EU” querer: “… porque a profecia nunca foi produzida por vontade de homem algum, mas os homens santos de Deus falaram inspirado pelo Espírito Santo”. (2Pe 1:21). É bom observarmos que os homens santos de Deus também não usaram essa frase; ao contrário, quando profetizaram, disseram: “Assim veio a mim a palavra do Senhor…” (Jr 1.4); “Assim diz o Senhor…” (Jr 2.5; Is 56:1; 66.1); “Ouví a palavra do Senhor…” (Jr 2.4); “E veio a mim a palavra do Senhor” (…) “disse o Espírito Santo…” (At 13:2); “…Isto diz o Espírito Santo…” (At 21.11); “Mas o Espírito expressamente diz…” (1Tm 4.1). Em todos os casos, não aparece o “EU”, aparece a pessoa divina.

Outro fator a pensar é este: As pessoas que profetizam bênçãos não esclarecem que tipos de bênçãos. As profecias bíblicas sempre especificaram que tipo de bênção ou de juízo sobreviria ao povo. Mas, hoje, é só isto: “Eu te abençôo”. É um procedimento totalmente fora da palavra de Deus. Deus é quem abençoa.

EXALTAÇÃO DO HOMEM: 
Algumas pessoas dizem: “Eu não quero saber o que a Bíblia dia, eu quero saber o que Kenneth Hagin diz”. O homem é o centro das atenções. O culto é preparado para ele. Os louvores, a pregação “positiva”. “Muitos vêm ouvir a Palavra somente para satisfazer seus ouvidos; eles apreciam a melodia da voz, a doçura suave da expressão, a novidade do conceito (At.17:21). Isso é amar mais o enfeite do prato do que o alimento em si; isso é o mesmo que desejar mais agradar a si mesmo do que ser edificado. É o mesmo que uma mulher que pinta o seu rosto e se esquece de sua saúde”. Thomas Watson.

ÊNFASE DEMASIADA NO MINISTÉRIO DOS ANJOS: 
A Nova Era fala também sobre o ministério dos anjos. Em nenhum lugar das Escrituras somos ensinados que podemos mandar nos anjos. Hoje existe até a troca do anjo. Os anjos estão sob a autoridade exclusiva do Senhor.

INTERPRETAÇÕES E PREGAÇÕES MÍSTICAS: 
Alguns dizem que existe um sentido oculto que só pode ser alcançado pelas pessoas especiais. As pessoas dizem: “Eu quero dizer uma coisa que não está revelada na Bíblia, pois Deus me revelou nesta noite”. Ignoram as regras de Hermenêutica e Exegese. Afinal, “Deus dá na hora”. As pregações de hoje são mais de auto-ajuda do que a ministração do alto. “A demanda gera o suprimento. Os ouvintes convidam e moldam os seus próprios pregadores. Se as pessoas desejam um bezerro de ouro para adorar, o ministro que fabrica bezerros‟ logo é encontrado” – John MacArthur Jr.

USO DE CHAVÕES: 
Chavões tais como: “Eu declaro”, “Eu ordeno”, “Eu profetizo”, “Eu decreto”, são pronunciados sem a menor reflexão ou sentido de responsabilidade. Os crentes e, infelizmente, muitos líderes, comportam-se como se fossem Deus; colocam o “EU” na frente e soltam palavras que não fazem parte das alianças divinas, das promessas divinas, dos oráculos divinos, dos estatutos divinos, da graça divina, da misericórdia divina, do amor divino. Falam da forma como Deus não mandou falar, declaram o que Deus não mandou declarar. “Eu declaro”, “Eu ordeno”, “Eu profetizo”, “Eu determino” são expressões despidas da espiritualidade ensinada na palavra de Deus; são frases que revelam a altivez do coração humano, são palavras que, por não terem respaldo bíblico, não mudam situação alguma. Veja o assunto: “Existe realmente poder em nossas palavras?”, na página 32.

“Toma posse da bênção”. 
Comparando isso com o procedimento de Jesus e dos apóstolos, afirmamos que é errado usar o termo “Toma posse da bênção” como meio de termos as bênçãos divinas concretizadas em nossa vida. Os discípulos e o próprio Jesus nunca cometeram esse tipo de equívoco, pois, em lugar de dizerem: “Toma posse da bênção”, eles disseram: “…se tu podes crer; tudo é possível ao que crê” (Mc 9.23); “…Tende fé em Deus…” (Mc 11.22), “…grande é a tua fé!…” (Mt 9.28) “…Seja-vos feito segundo a vossa fé” (Mt 9:23); “Em nome de Cristo, o nazareno, levanta-te e anda…” (At 3:6). Assim, em vez de as bênçãos serem direcionadas para o homem, a palavra de Deus ensina as pessoas a direcionarem suas esperanças para Deus, através da fé. Alguns pregadores, como Lutero, falam em “tomar posse” mas num sentido muito diferente dos pregadores hodiernos.

FALSIFICAÇÃO DOS DONS ESPIRITUAIS: 
É “fogo estranho”. Levítico 9:1-24; 10:1-3. Podem-se encontrar incensários à venda, fogo em pacotinhos, se você quiser. Ninguém faz esta avaliação, ninguém pondera sobre estes sistemas, ninguém questiona nada, o que interessa é fazer o povo feliz e deter o controle e o poder. Que tipo de espiritualidade nós queremos? – Gl 3:3. Alguns dizem: – Está sob o nosso controle: a gente faz dançar, a gente faz pular, a gente faz chorar, se o Espírito não derrubar não faz mal não, a gente dá uma pernadinha e o irmão cai; uma tapa na testa e pronto, tá resolvido. É isto que o povo quer, é de espetáculo que o povo gosta, é novidade que mantém o interesse da Igreja. A diferença entre a chama divina e o fogo estranho é a de que a chama divina está no controle soberano de Deus.

Fala-se hoje de “Tapete de Fogo”; “Metralhadora do Espírito”; “Granada do Espírito”; “Vassoura de Fogo”; “Unção do Riso”; “Cola do Espírito Santo”.

USO DE AMULETOS: 
Um amuleto é um objeto de superstição. Pode ser descrito como: “um objeto no qual está escrito uma fórmula de encantamento ou sobre a qual se recitou um encantamento, com o fim de proteger a pessoa que usa contra perigos, doenças, demônios, fantasmas, magia negra, e para trazer boa sorte e fortuna”. (Frank Gaynor. Ed. Dictionary of Mysticism. Nova Yorque. Citadel Press. sd.pp.10).

O uso dos elementos mágicos dos cultos e das superstições populares do Brasil, entre eles o sal grosso (para afastar maus espíritos), a rosa ungida (usada nos despachos e nas oferendas a Iemanjá), a água fluidificada (usada por credos espiritualistas a fim de trazer a influência espiritual para o corpo humano), fitas e pulseiras (semelhantes na sua designação às fitas do chamado Senhor do Bonfim), o ramo de arruda (usado para afastar coisas más) e uma quantidade enorme de apetrechos aos quais se emprestam supostos valores espirituais que podem ser passados por seus usuários.

No começo era a simples fé na oração, agora a mistificação de objetos. Na crença animista cada objeto possui uma alma, ou seja, é um ser espiritual. Atualmente alguns segmentos acreditam que uma vez que se unge alguma coisa, ela passa a ter poder, ou nos proteger como se fosse um espírito.

Ao aceitarmos o senhorio de Jesus, recebemos o Espírito Santo (1Co 6.19 Ef 1.13); nossos pecados são perdoados (At 10.43; Rm 4.6-8); somos recebidos como filhos de Deus (Jo 1.12); somos filhos, logo somos também herdeiros de Deus e co-herdeiros de Cristo (Rm 8.17); passamos da morte espiritual para a vida espiritual (1Jo 3.14); somos novas criaturas (2Co 5.17); o Diabo se afasta e não nos toca (Tg 4.7; 1Jo 5.18); não estamos mais sujeitos às maldições (Jo 8.32,36); a salvação nos leva a um relacionamento pessoal com nosso Pai e com Jesus como Senhor e Salvador (Mt 6.9; Jo 14.18-23); estamos livres da ira vindoura (Rm 5.9; 1Tss 1.10; 4.16-17; Ap 3.10), além de outras bênçãos.

CARACTERÍSTICAS DE UMA VERDADEIRA ESPIRITUALIDADE

1. Uma Espiritualidade Trinitária:
A verdadeira espiritualidade coloca Deus no centro. O Espírito glorifica a Cristo. A soberania de Deus é proclamada e vivida. (1Cr 29.11; Dn 4.35; Sl 115.3; 1Tm 6:15; Ef 1.11; Rm 11.36; Sl 39.9). O homem não passa de vaso de barro. (Is 29.16; 45.9; 2Co4.7).

2. Uma Espiritualidade Verdadeira Coloca o homem no seu devido lugar: 
Quem é o homem? 1Rs 8.46; Jo 14.4; Sl 51.5; Sl 58.3; Ec 7.20; Is 64:6; Jr 4.22; Jr 9.5-6; Jr 13.23; Jr 17.9; Jo 3.3; Jo 3.19; Jo 3.36; Jo 5.42; Jo 8.43,44; Rm 3.10-11; Rm 5.12; Rm 7.18, 23; Rm 8.7; 1Co 2.14; 2Co 4.4; Ef 2.3; Ef 4.18; 2Tm 2.25-26; 2Tm 3.2-4; Tt 1.15.

3. Uma Espiritualidade Comunitária. 
A verdadeira obra do Espírito produz amor cristão na igreja. Reconciliação e comunhão que desemboca na sociedade.

4. Uma Espiritualidade Centrada na Palavra de Deus.
A verdadeira obra do Espírito aproxima as pessoas da Palavra de Deus. O misticismo afasta.

5. Uma Espiritualidade Missionária. 
Há serviço, oração, intercessão, quebrantamento que extrapola os muros de nossas igrejas. Vai para o campo, para as ruas, guetos e becos. Não fica apenas “decretando” e “amarrando” os demônios na cadeira confortável de seu templo. Não existe verdadeira espiritualidade sem serviço. Hoje há muito ativismo, mas pouco serviço.

Como reconhecer o trabalho do Espírito Santo de Deus? Três critérios nos auxiliarão:

(1) O fim principal do trabalho do Espírito é a Glória de Deus. 
Cristo, cheio e liderado pelo próprio Espírito, assim especificou – Jo 4.34; 5.19; 5.30; 5.43; 6.38; 17.4. No que dizem respeito aos demônios, estes procuram a auto-adoração e a própria glorificação. Não é esse o desejo de muitos pregadores de hoje?

(2) A suprema autoridade do Espírito é a Palavra de Deus: Dt 29.29. Demonstrar mais estima e procura por “revelações ocultas” do que pela revelação bíblica, é um insulto ao Deus todo-poderoso, que nos criou em amor para que o adorássemos e o servíssemos. Sola Scriptura: Sl 19.7; 119.130; Pv 1.1,4; Ef 3.1-2,4; Dt 4.2; Dt 12.32; Pv 30.5-6; Ap 22.18-19; Mt 15.3-6; Mc 7.5-7; 1Tm 4.1-2.

(3) A mensagem principal do Espírito é o Evangelho de Deus (At 1.2 e 8).

O PERIGO OPOSTO DE TUDO ISSO: 
O racionalismo exagerado: Ou seja, não crer na ação do Espírito Santo nos dias de hoje. Não sentir mais a necessidade de orar, de buscar a presença de Deus, de santificação, de quebrantamento.

Fonte: Napec

domingo, 14 de outubro de 2012

Pode o crente sofrer influências dos chamados espíritos familiares?



Por: Renato Vargens

























O fundador da Igreja Evangélica Sara Nossa Terra, o Bispo Robson Rodovalho, ensina a existência daquilo que denomina de espíritos familiares. Para ele, espíritos familiares são demônios que, devido ao pecado de algum antepassado, acompanham a linha sucessória do pecador, impondo-lhes o mesmo pecado que o seu ascendente. Em outras palavras isto significa que se uma pessoa no passado cometeu o pecado de adultério, ela deu oportunidade a demônios de transmitirem os mesmos pecados à sua descendência.


Segundo Robson Rodovalho, estes espíritos familiares são encarregados de transmitir maldições para as gerações posteriores. Seus campos de atuação são: casamento, violência, enfermidade, vícios, loucura e destruição das finanças.

O Excelente CACP (centro Apologético cristão de Pesquisas) publicou que a Missão Shekinah oferece uma longa lista de áreas onde estes espíritos familiares atuam. Entre estas estão:

“Espíritos familiares na área de temperamentos e caráter:
01. Injustiça 02. Dolo 03. Detratação (depreciar, reputação) 04. Assaltos 05. Assassinatos 06. Furtos 07. Fraudes 08. Falta de misericórdia 09. Difamação 10. Maldade 11. Calúnia 12. Injúria 13. Crueldade 14. Malignidade 15. Orgulho 16. Vaidade 17. Presunção 18. Cobiça 19. Covardia 20. Mentira 21. Rebeldia 22. Maledicência 23. Malícia 24. Ganância 25. Avareza 26. Dissensão 27. Brigas 28. Rixas 29. Língua Desenfreada 30. Ciúmes 31. Inimizades 32. Porfias 33. Criticismo 34. Murmuração 35. Timidez 36. Vingança 37. Ódio 38. Ira 39. Inveja 40. Engano 41. Medo 42. Pânico 43. Devaneios (fantasias) 44. Procrastinação (demora em tudo) 45. Infidelidade a Deus e aos homens 46. Maus tratos às crianças(espancamento, julgamento, falta de respeito) 47. Delação de pessoas inocentes 48. Amaldiçoar os pais e os descendentes 49. Morte 50. Suicídio 51. Acidentes e desastres 52. Vícios, Álcool, drogas, jogos, etc. Espíritos familiares ligados à seitas e religiões: 01. Espiritismo - Kardecismo, Umbandismo, Candomblismo, Macumbaria, satanismo,etc. 02. Idolatria - católica romana 03. Seitas diversas: Maçonaria, Rosa Cruz , Pró-Vida, Nova Era, Mormonismo, Testemunha de Jeová, etc. 04. Cangaço, Canibalismo, Guerras religiosas, Sacrifício de crianças, pessoas e animais. Perseguição aos judeus e cristãos (italiano, alemão) 05. Incredulidade em todas as formas. Colaboração para construção de templos pagãos. Espíritos familiares ligados à area de comportamento social: 01. Guerras (todos os tipos, politico, social, religioso); 02. Revolução (esp. revolucionário) 03. Facismo; 04. Nazismo 05. Comunismo 06. Racismo 07. Racionalismo 08. Despotismo (poder absoluto) 09. Intelectualismo 10. Materialismo 11. Anarquismo 12. Consumismo 13. Feudalismo 14. Terrorismo 15. Colonialismo 16. Preconceitos 17. Fazer acepção de pessoas 18.Traição 19. Máfia 20. Contrabando 21. Autoritarismo”

Caro leitor, vamos combinar uma coisa? Esse pessoal que acredita neste tipo de doutrina viaja na maionese. Ora, Em Cristo, o escrito de divida que era contra nós foi cancelado. A morte do Jesus foi suficiente para quebrar todo tipo de maldição. Paulo afirma que o Senhor nos libertou do império das trevas e nos transportou para o Reino do Filho do seu amor. Se não bastasse isso, as Escrituras são claras em afirmar que se o Filho nos libertasse, verdadeiramente seríamos livres. Portanto assegurar que precisamos quebrar maldições hereditárias, e repreender de nossas vidas espíritos familiares, aponta para um profundo desconhecimento do significado da cruz.

Vale à pena ressaltar que a Bíblia também nos ensina que somos de Deus e que em virtude disto maligno não nos toca. Em outras palavras, isto significa dizer que não existe esta história de retaliação maligna, até porque, o diabo está limitado em suas ações por Aquele que tudo pode!

Isto posto, afirmo que satanás não tem a menor condição de surpreender nosso Deus, até porque, o SENHOR continua SOBERANAMENTE governando os céus e a terra. Como bem disse o reformador Martinho Lutero, o diabo é o diabo de Deus, e nada que faça pode impedir a concretização da vontade do Senhor.

Louvado seja o Senhor que nos VERDADEIRAMENTE nos libertou e que por intermédio de sua cruz nos tornou livres.

Pense nisso!

Renato Vargens
Fonte: [ Blog do autor ]

Quando belos ensinos substituem a simplicidade do Evangelho


 Por Wilson Porte Jr.

  
"E também houve entre o povo falsos profetas, como entre vós haverá também falsos doutores, que introduzirão encobertamente heresias de perdição, e negarão o Senhor que os resgatou, trazendo sobre si mesmos repentina perdição. E muitos seguirão as suas dissoluções, pelos quais será blasfemado o caminho da verdade" -Pedro em 2Pe 2.1-2

O veneno mais perigoso não é aquele que está empacotado em uma caixa com avisos de perigo. O veneno mais perigoso é aquele que vem disfarçado de alimento delicioso. Que tem aparência de sorvete, mas um conteúdo destruidor.

O povo de Deus sempre namorou ensinos mentirosos e destruidores. Não por uma tendência suicida, mas por não abraçar as Escrituras como suficientes à sua vida e fé.

No antigo e no novo testamento, além de em toda a história da igreja, a batalha pela verdade (Jd 3) sempre foi necessária. A mentira é sedutora! Ela vem montada em um discurso retoricamente perfeito. Ainda hoje, muitos têm cedido ao maligno que adentra a igreja de Cristo por meio de falsos ensinos encantadores.

Em nossa reflexão sobre a relação dos cristãos com o mundo, meditaremos hoje nos conselhos do apóstolo Pedro às igrejas que estavam namorando com ensinos aparentemente belos e cristãos, mas que estavam carregados de mentira e corrupção.

A segunda epístola de Pedro foi escrita em um momento bastante complicado do primeiro século. A igreja de Deus que tinha a tarefa de levar o Evangelho à Judeia, Samaria e confins da Terra, permaneceu em Jerusalém, saindo dali apenas em momentos de perseguição. Mas, logo que a perseguição acabava, eles se juntavam novamente. Até que uma perseguição mais séria veio e eles tiveram que se espalhar definitivamente por algumas regiões do mundo, próximas à Israel.

Segunda de Pedro foi escrita à algumas destas comunidades. Pedro estava preocupado, pois o Evangelho que havia sido pregado a eles estava sendo abandonado. Por meio de falsos mestres infiltrados dentro da igreja, a heresia do gnosticismo (cuja essência, entre os cristãos, era de privilegiar alguns por conta do conhecimento que eles tinha) estava convencendo a muitos. Ao invés de os cristãos manterem a ideia de que são todos iguais aos olhos de Deus, de que não há uma aristocracia baseada no conhecimento, os mestres gnósticos defendiam uma distinção de classes entre as pessoas, baseada no conhecimento que elas tinham.

Pedro temia que a sedução pelo engano da mentira disfarçado de "conhecimento" levasse as pessoas à abandonarem a comunhão e a fé. Ou seja, Pedro temia que o mal ensino que há no mundo entrasse no coração dos cristãos – e ele temia isso mais do que a própria perseguição.

O falso ensino defendia a não soberania do Senhor Jesus (2Pe 2.1). E este vinha acompanhado de libertinagem e corrupção moral (2Pe 2.2, 10-16, 18, 19; 2.3, 14, 15; 3.1-16). Por causa do mal que estava entrando no coração dos cristãos, Pedro escreveu sobre como eles deveriam viver, como fugir do mal (aqui personificado em uma filosofia enganosa), e como aguardar o retorno de Jesus.

Assim como foi na época de Pedro, muitos hoje têm sido enganados por falsos (e belos) ensinos modernos. Ensinos que negam a inerrância das Escrituras. Que negam sua inspiração. Que negam doutrinas centrais da fé. Como foi há 1900 anos atrás, hoje também devemos estar atentos a tudo aquilo que se propõem a negar a suficiência das Escrituras. Devemos estar atentos diante de bons oradores, bons artigos, bons professores, que têm destruído os fundamentos da fé cristã. Sua beleza não deve nos encantar a ponto de fazer-nos substituir a simplicidade e suficiência da Bíblia por suas argumentações demoníacas.

Não esqueçam, o veneno mais perigoso não é aquele que está empacotado em uma caixa com avisos de perigo. O veneno mais perigoso é aquele que vem disfarçado de alimento delicioso. Que tem aparência de sorvete, mas um conteúdo destruidor.

Se forem destruídos os fundamentos, que poderá fazer o justo? - Salmo 11.3
 
Fonte: Site do autor

A igreja desnecessária



A Igreja cristã sempre sofreu todo tipo de ataque ao longo de sua trajetória por meio das investidas despóticas promovidas pelos impérios e nações cheios de ódio; por meio das agressões violentas proporcionadas pelos religiosos cheios de preconceito; e por meio das injúrias impiedosas promovidas pelos intelectuais ateus ou agnósticos cheios de orgulho e soberba. Dentre tais ataques, há um que se apresenta como a pior de todos, trata-se do acometimento sutil que nasce e se desenvolve dentro da própria Igreja para confundir os que querem se firmar na fé. Não foi à toa que certa vez Jesus alertou seus discípulos sobre o joio de Satanás que seria semeado em meio ao trigo do Senhor. Da mesma forma, o apóstolo Paulo, no final da sua vida, exortou Timóteo, um de seus sucessores no ministério pastoral, para que pregasse a Palavra sob qualquer circunstância, pois muitos cristãos nominais não iriam mais sustentar a sã doutrina, ao contrário, estariam sempre cercados de “pregadores” com mensagens favoráveis aos desejos pecaminosos. Também Judas afirmou que homens não tementes a Deus entrariam no meio do povo cristão sem serem notados para torcerem a mensagem da graça divina a fim de arranjarem uma desculpa para a vida imoral. Fica claro, então, que o ataque interno é o mais perigoso e destrutivo que existe. Portanto, resta saber como se dá esse ataque, quem são os inescrupulosos, o que ensinam e que tipo de igreja eles promovem e apresentam ao mercado.

Ao ponderarmos sobre este assunto com mais acuidade, descobriremos que não é difícil identificar tais igrejas hoje. Quero inicialmente fazer uma abordagem do ponto de vista teórico e do ponto de vista prático.

Do ponto de vista teórico, elas se caracterizam pela postura humanista. Para uma melhor compreensão, é importante estabelecer aqui a diferença entre o humanismo e o humanitarismo. Humanitarismo é a preocupação com a dignidade humana proporcionada pela liberdade, pela justiça imparcial e pela igualdade. É a luta para que as injustiças sociais promovidas por sistemas pecaminosos e opressores sejam exterminadas. É, afinal, a postura resultante da exortação do Senhor descrita pelo profeta Isaías ao afirmar que a santidade anda de mãos dadas com o humanitarismo: “Lavai-vos, purificai-vos, tirai a maldade de vossos atos de diante dos meus olhos; cessai de fazer o mal. Aprendei a fazer o bem; atendei à justiça, repreendei ao opressor; defendei o direito do órfão, pleiteai a causa das viúvas.” Já o humanismo vai muito além, é a tendência de alocar o homem no lugar de Deus. Embora o termo “humanismo” seja mais ou menos recente do ponto de vista da jornada humana neste mundo, a postura ocorre desde a tentação do Éden. Historicamente também o percebemos no discurso dos sofistas, na proposta da renascença, e no fulcro da modernidade até os dias de hoje. Ao contrário do que muita gente pensa, a referência dos humanistas não é o ser humano em relação a si mesmo, mas o ser humano em relação a Deus. É nesse sentido que entendemos as tendências que ficaram conhecidas por deísmo, agnosticismo, relativismo, panteísmo ou ateísmo.

Do ponto de vista prático, tais igrejas possuem uma preocupação obsessiva: o crescimento numérico. Isso não significa dizer que o crescimento de uma igreja seja algo errado, pelo contrário, cada cristão deve evangelizar com responsabilidade e ininterruptamente para que Deus possa alcançar os seus eleitos. A questão aqui não é a evangelização, e sim a forma que se utilizam para crescer. Há uma expressão que explica a metodologia utilizada, a expressão é “pescar em aquário”, que significa o crescimento pragmático em detrimento da qualidade e do comprometimento com a santa Lei. Em outras palavras, o alvo principal não são os que estão no mundo, o alvo principal são os que já estão em alguma igreja cristã. É a sedução pela célebre frase: “venha para a minha igreja porque ela é melhor do que a sua.” São entidades abarrotadas de professos de outras igrejas, é o crescimento cínico que acontece sem ética e sem compromisso.

Com base nesses dois pontos de vista, quero especificar algumas características específicas que ajudam na identificação desses grupos, ou seja, ressaltar os desdobramentos do humanismo que, oferecidos e barganhados em todos os setores da sociedade, envergonham o genuíno Evangelho. São os donativos que buscam seduzir e agradar ao homem em detrimento de Deus, são os atrativos estranhos às Escrituras. Há, ao meu ver, quatro tipos de igrejas: a do ceticismo, a do mercado, a do entretenimento e a do sectarismo.

A igreja do ceticismo. Muitos acreditam que, para tornar o cristianismo interessante à sociedade, devem encerrá-lo nos porões da ignorância e da ingenuidade. Afirmam que a Bíblia está cheia de mitos e de mensagens que não passam de metáforas textuais. É a adaptação da Igreja às críticas impiedosas das academias e dos que crêem que somente a ciência deve ser tida como um conhecimento confiável. A pressão ocorre sobre os que acreditam na inerrância e na total inspiração das Escrituras, é a tentativa de desmoralizar e envergonhar o cristão que passa a ser acusado de “néscio” e “fanático”. Os líderes sempre são simpáticos na convivência, mas implacáveis em suas afirmações. São indivíduos que tem causado muito mal aos eleitos de Deus, pois o único objetivo que possuem é a satisfação em se reconhecerem como intelectuais “amadurecidos” e inteligentes capazes de elaborar explicações racionalizadas que desprezam o sobrenatural e os milagres. Embora, de todos os movimentos perversos, este seja um dos menores grupos no cenário nacional, sua proposta sórdida é corrosiva e destruidora, levando os seus discípulos ao desespero e à desonestidade para com a convivência respeitosa entre o conhecimento teológico e o conhecimento filosófico e científico. Em suma, a igreja cética possui a vocação para reduzir o reino de Deus em um grande questionamento.

A igreja do mercado. Aqui temos o maior grupo no Brasil hoje. São as igrejas que transformam o cristianismo em um grande hipermercado de opções. As ofertas variam entre a possibilidade da boa saúde, de muito dinheiro no banco, do prestigio total, enfim, da total satisfação garantida. Basta pagar, e pagar caro, pelos serviços divinos para que possam usufruir das benesses que transformam o Deus justo e Santo em um melancólico despachante celestial “encurralado” por seus “súditos” cheios de “autoridade”. O principal objetivo de seus líderes é o enriquecimento fácil à custa da boa fé popular ou por meio da promiscuidade político-partidária que faz com que seus pastores estejam nas folhas de pagamento do setor público ou ainda pelo desvio do dinheiro público para o financiamento da construção dos templos destinados à negociata espiritual. Vale tudo para enganar: objetos sagrados, água do rio Jordão, óleo bento, teatralização da fé, etc. Além disso, a autoridade dos líderes migra do poder da Palavra para os títulos inusitados de “bispo”, “apóstolo”, “arcanjo” etc. Este é, sem dúvida alguma, o lado piegas e bizarro daqueles que destroem a fé bíblica por meio da perseguição ideológica e utilitarista. Em suma, a igreja do mercado possui a vocação para transformar o reino de Deus em um grande shopping center.

A igreja do entretenimento. Um dos pontos mais críticos nas igrejas hoje é a confusão entre show e culto. É quando o show se torna um culto e quando o culto se torna um show. O alvo principal não é agradar a Deus por meio da adoração, comunhão e louvor, mas entreter aos que estão presentes. O objetivo é fazer um culto “gostoso” aos participantes que buscam o bem-estar acima de qualquer outra prática. Não estou defendendo aqui o culto ranzinza, chato e destituído de alegria, o que estou dizendo é que o culto solene deve também conter temor e tremor, pois quanto mais enxergamos a graça de Deus, muito mais tememos diante desse Deus gracioso. Nesse contexto de que tudo é alegria, há também a disseminação de que a misericórdia de Deus existe apenas para afrouxar a busca pela santidade. Com isso desprezam a advertência do apóstolo Paulo quando diz: “Será que devemos viver pecando para que a graça de Deus aumente ainda mais? É claro que não! Nós já morremos para o pecado; então como podemos continuar vivendo nele?” Em suma, o que encontramos aqui é a oferta de um cristianismo sem revezes por utilizar os modelos do mundo em suas práticas. E se não há hostilidade por parte do mundo, logo se torna um cristianismo sem dor, sem sofrimento, sem repressão da cobiça, sem perseguição. É a doutrina que relativiza o pecado em detrimento dos valores a muito defendidos como: a virgindade até o casamento, a luta contra o divórcio, a incontaminação que nos afasta da licenciosidade das boates e das bebedeiras. Em suma, a igreja do entretenimento possui a vocação para transformar o reino de Deus em um grande parque temático.

A igreja do sectarismo. Não há nada pior nesse mundo que um espírito sectário. É triste perceber tantas pessoas que se arrogam afirmando que somente elas possuem o caminho verdadeiro. É óbvio que eu creio que há somente um caminho que conduz a Deus, esse caminho é Jesus, portanto não é nesse sentido que eu estou falando. O sentido dado aqui é a manipulação do Evangelho que passa a ser brutalmente desfigurado apenas para ufanar os indivíduos. Não é sem propósito que a esmagadora maioria destes grupos sempre afirma que a existência de suas igrejas está embasada num pseudo-propósito de Deus em retificar a sua igreja na terra, uma vez que já está farto das demais denominações cristãs. Afirmam também que a sua origem se deu por uma revelação direta a um líder específico. São grupos que colocam em pé de igualdade com as Escrituras tais revelações que, posteriormente, se tornaram livros sagrados. Como resultado, pregam dizendo que a salvação, a revelação divina, o usufruto das bênçãos, o contato com Deus só podem acontecer sob suas doutrinas particularmente reveladas. Logo, as demais igrejas são satânicas e proscritas. A triste conclusão é a de que há somente um único caminho que conduz a Deus, e esse caminho não é Jesus, esse caminho é a igreja que fundaram e defendem. Ao olhar para a minha própria igreja, contrastando-a com outras denominações fiéis ao Senhor, sempre me lembro que o Reino de Deus não está circunscrito a uma instituição, mas está sempre presente onde estão os eleitos de Deus. Em suma, a igreja sectária possui a vocação para transformar o reino de Deus em uma seita restrita.

Concluo dizendo três coisas: primeiro, embora o humanismo seja uma terminologia recente, sua essência, como já afirmei, existe desde a tentação no Éden, é a postura que sempre caminhou contra o povo de Deus; segundo, o Senhor sempre alertou o seu povo contra os falsos líderes, os falsos pastores, os falsos mestres cuja manifestação poderia até enganar um eleito: “...pois surgirão falsos ungidos e falsos profetas, operando sinais e prodígios, para enganar, se possível, os próprios eleitos. Estai vós de sobreaviso; tudo vos tenho predito.” Terceiro, a única arma contra tudo isso é a Palavra de Deus que deve ser lida, meditada e vivida. Infelizmente não há como se livrar de tantos erros disseminados, mas pelo menos, por meio da revelação especial de Deus, podemos conhecer a banda desnecessária da Igreja de Cristo.

Sola Scriptura.

Autor: Alfredo de Souza
Fonte: [ Blog do autor ]
Via: [ Emeurgência ]